• Lygia Canelas

A educação que desejamos: como chegar lá

O professor de Comunicação na USP, pesquisador das mudanças na educação presencial e a distância, José Manuel Moran, trata sobre “as profundas mudanças provocadas pelas redes digitais, principalmente a internet, na educação presencial e a distância, em todos os níveis de ensino", em seu livro A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá.





Revela o panorama atual da assimilação dessas mudanças pelas escolas, professores e alunos e descreve as etapas de apropriação das tecnologias pelas escolas, sem esquecer o papel que professores e gestores terão que desempenhar nessa revolução.


A sociedade caminha depressa para uma onda de mudanças disruptivas, que pode ser vislumbrada em parte, no entanto ainda reserva surpresas. Será que é possível estar preparado para elas?


E como toda grande mudança vários setores serão afetados, na educação, por exemplo, teremos cada vez mais uma comunicação dinâmica e pluralista, complexa e democrática, com acesso livre a quase todo tipo de informação, autonomia na produção e compartilhamento de textos, criações artísticas, pesquisas científicas, e uma interação multimídia que vem mudando o comportamento de estudantes e professores.


"Será necessário aprender a construir um percurso intelectual mais difícil, cheio de inúmeras ramificações e opções; aprender a conviver com as diferenças de visões de mundo, de valores, de grupos; a fazer escolhas mais provisórias; aprender a comunicar-nos de forma mais abrangente, integrada, participativa, equilibrando o individual e o social”.

A maneira de aprender está mudando e vai continuar seu processo de transformação e adaptação porque os seres humanos e suas necessidades mudaram, suas possibilidades se ampliaram. Para quem quer aprender existirão cada vez mais caminhos, caminhos a serem percorridos por si próprios.


Não existirão bulas ou mapas, apenas guias… Seja com ou sem certificação, seja presencial ou a distância, seja um curso de idioma ou uma graduação, todos que querem aprender podem começar suas jornadas a partir de “guias”, fóruns, cursos que se complementam, personalizados e flexíveis. Todavia não é mais o diploma que te define, mas sua jornada, o processo desenvolvido ao longo do caminho, suas experiências únicas e sua criatividade para solucionar problemas.


Moran reflete que para isso “precisaremos de instituições sérias para ajudar-nos nos cursos de maior duração, nos que certifiquem profissionalmente. Mas não precisaremos ir todo dia a uma sala de aula para aprender. Haverá formas muito ágeis, diversificadas, flexíveis, adaptadas ao ritmo e necessidades de cada aluno para aprender e ajudar a aprender”.


Em uma era onde a tecnologia evolui muito mais rapidamente do que a cultura é preciso tomar cuidado com a inércia.


Entre o desejo e a ação existe uma distância que culturalmente sempre deixou a humanidade confortável, com muito tempo para refletir em uma postura mais contemplativa.


Hoje o mundo exige respostas e soluções rápidas, força de vontade para agir, coragem para arriscar, e a reflexão admite mais do que nunca o trabalho coletivo, a equipe organizada, disposta, companheira, interessada, e despojada da ambição puramente individualista.


“As tecnologias permitem mudanças profundas já que hoje praticamente permanecem inexploradas pela inércia da cultura tradicional, pelo medo, pelos valores consolidados. Por isso sempre haverá um distanciamento entre as possibilidades e a realidade.
O ser humano avança com inúmeras contradições, muito mais devagar que os costumes, hábitos, valores. Intelectualmente também avançamos muito mais do que na prática. Há sempre um distanciamento grande entre o desejo e a ação”.


Perceba que a educação começa a se preocupar com uma experiência do usuário, seja professor ou aluno, de forma mais personalizada, considerando uma série de fatores e recursos que antes não eram refletidas no contexto educacional.


O que dizer então do período da pandemia de 2020?


Da noite para o dia, fomos mergulhados em novos recursos eletrônicos e digitais como tentativa de mantermos as interações humanas e as demais atividades sociais e profissionais.


Para muitos, um choque, para outros, apenas o reforço de um estilo de vida conectado que já existia.


O livro teve sua primeira publicação em 2007, então me diga: ele acertou nas suas previsões?


*Conteúdo publicado originalmente pela autora no projeto Inovaeduca.


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