O tal do profissional da informação. É você?

Hoje tem artigo e e-book gratuito!


Quem é da área da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Comunicação e Jornalismo, Arquivologia já ouviram falar do termo ou até mesmo já se entenderam como "profissional da informação", certo?


É muito importante que a gente entenda esse termo. Sabe por quê?


A partir desse entendimento será possível compreender melhor onde encaixar suas habilidades e competências nesse mercado imenso de oportunidades para que você possa trabalhar ou empreender.


Precisamos buscar por significados que nos auxiliem a traduzir as nossas competências e habilidades e relacioná-las às oportunidades de trabalho em diferentes segmentos do mercado.



Palavras-chave relacionadas ao profissional da informação


Na última pesquisa de usuário que o Bibliothinking realizou em Janeiro deste ano, 52% das pessoas se declararam insatisfeitas pela falta de reconhecimento, falta de empregos e falta de entendimento sobre o que somos capazes de realizar, ou seja, quais são as nossas verdadeiras competências e habilidades e como podemos atuar em diferentes mercados.


Destacamos duas respostas de pessoas bibliotecárias participantes da pesquisa, em relação ao que seria a sua maior frustração em relação à profissão.


"Mercado de trabalho limitado, devido a imagem retrógrada que as pessoas ainda têm da nossa profissão".

"Me sinto frustrada por ter as competências condizentes com a necessidade do mercado atual de trabalho, mas existe enorme desconhecimento dos empregadores sobre isso".

Você não encontra vagas de emprego com o termo "profissional da informação" por aí. E olha que eu pesquisei bastante ao escrever esse artigo. Encontrei no Linkedin alguns profissionais que colocam esse termo no título e descrição do perfil, mas nada disso em títulos ou descrições de vagas, grupos.


Considerando aqui alguma margem de erro, precisamos aprender com isso que o foco está sempre nas nossas competências, habilidades e principalmente nos projetos que você vivenciou. Quem vai recrutar vai entender o seu processo de trabalho, como você resolveu problemas e quais habilidades usou nessa jornada.


Por isso é tão importante criar portfólios ou cases dos projetos nos quais você trabalhou e divulgar no currículo.


É aí que vai dar match, por exemplo, com as vagas que trazem palavras-chave que estão relacionadas a ser profissional da informação e que aparecem em diferentes vagas pesquisadas no Linkedin.


Pra quem não sabe, a expressão 'dar match' vem dos aplicativos ou sites de relacionamento como o Tinder, por exemplo. A expressão ficou conhecida por todo o Brasil entre as pessoas que buscam por um parceiro utilizando esses aplicativos e significa: combinar.



Pesquisando no Linkedin


Esses termos acima saíram de uma pesquisa que realizei no Linkedin, utilizando os filtros para vagas, pessoas e grupos.


Bibliotecários e arquivistas aparecem em vagas tradicionais para bibliotecas, arquivos e museus. Já as demais vagas que encontrei, super interessantes para profissionais da informação, solicitaram em sua maioria, pessoas das áreas de Comunicação, Jornalismo, Letras, Marketing, Segurança da Informação, Arquitetura da Informação, UX Research e UX Writing.


Minha motivação é óbvia, nossas habilidades e competências aparecem nas descrições de inúmeras vagas de emprego, mas o termo bibliotecário e arquivista não. Olha só que bacana essa parte da descrição de atribuições para atuar como UX Research:


"Auxiliar a estruturação, organização e acesso aos dados e insights gerados pelo time de pesquisa de UX Research".

Bom, mas vamos à pesquisa! Os termos utilizados foram:


  • bibliotecário,

  • profissional da informação,

  • gestor (e gestão) de conteúdo,

  • de informação,

  • de conhecimento,

  • catalogador,

  • classificador, classificar

  • taxonomista,

  • biblioteconomista,

  • arquivista,

  • analista de conteúdo,

  • curadoria digital,

  • curadoria de conteúdo

  • indexação


Regra 1: Não considerei aqui os cargos tradicionais em bibliotecas, museus, e arquivos. Ao buscar por bibliotecário ou arquivista contemplei apenas para este artigo as vagas de atuação fora de bibliotecas e arquivos.


Regra 2: Os termos acima trouxeram vagas para diferentes áreas, porém eu selecionei apenas uma amostra que apresentou em sua descrição uma correlação direta com as habilidades e competências do bibliotecário e do arquivista.


Regra 3: O filtro utilizado foi "vagas".


Disponibilizei uma amostra sobre a pesquisa realizada no Linkedin contendo os termos pesquisados e os resultados. Destaquei tudo aquilo que dá match, ou seja, que combinam com as competências inerentes ao bibliotecário ou arquivista. No final deixo os desafios e conhecimentos mais específicos que você precisará correr atrás se quiser pegar a vaga!


Algumas das vagas se repetiram ao usar os termos da lista acima, mas eu não as repeti na tabela, ok?


Vale lembrar que determinadas áreas do mercado irão exigir um conhecimento especializado?


Lógico! Da mesma forma que um bibliotecário da área jurídica, engenharia ou de saúde acaba estudando e se envolvendo com a temática para que possa compreender melhor as necessidades do usuário daquela unidade de informação e o teor dos conteúdos e dados com os quais lida diariamente.


Ah, e por que escolhi o Linkedin? Pega essas estatísticas aqui:


"O LinkedIn tem mais de 575+ milhões de usuários, com mais de 260 milhões de usuários ativos mensalmente.
Dos usuários do LinkedIn que se envolvem com a plataforma mensalmente, 40% acessam-na diariamente.
A outra principal razão pela qual os usuários do LinkedIn estão ativos nas plataformas é para os esforços de recrutamento de empregos. Com mais de 20 milhões de empresas listadas no site e 14 milhões de empregos em aberto, não é surpresa descobrir que 90% dos recrutadores usam regularmente o LinkedIn."
(Fonte: Estatísticas e Fatos do LinkedIn 2021)


Mas calma, já vou disponibilizar a pesquisa pra você. Acontece que a gente ainda não falou o que significa ser profissional da informação.



O profissional da informação


Ocorre muita confusão sobre o alcance desse termo em relação a como se posicionar no mercado de trabalho. A Informação é o próprio objeto de trabalho, não importando o suporte no qual ela esteja: livros, mapas, gráficos, bases de dados, blogs, plataformas ou softwares e tantos outros.


No entanto, essa informação que se fala é a "informação registrada", ou seja, é preciso "vê-la, processá-la e utilizá-la" a partir das teorias e disciplinas que contemplam a mediação entre "estoques informacionais e a necessidade do usuário". (Marta L. P. Valentim, em Formação do Profissional da Informação).


Dentre as competências e habilidades deste profissional, destaco alguns dos tópicos citados pela autora:



  • Formular e gerenciar projetos de informação;


  • Aplicar técnicas de marketing, liderança e de relações públicas;


  • Capacitar e orientar os usuários para um melhor uso dos recursos de informação disponíveis nas unidades de informação;


  • Elaborar produtos de informação (bibliografias, catálogos, guias, índices, disseminação seletiva da informação (DSl) etc.);


  • Executar procedimentos automatizados próprios em um entorno informatizado;


  • Planejar e executar estudos de usuários e formação de usuários da informação;


  • Desenvolver e executar o processamento de documentos em distintos suportes em unidades, sistemas e serviços de informação;


  • Selecionar, registrar, armazenar, recuperar e difundir a informação gravada em qualquer meio para os usuários de unidades, serviços e sistemas de informação;


  • Reunir e valorar documentos e proceder ao arquivamento;


  • Preservar e conservar os materiais armazenados nas unidades de informação;


  • Selecionar e avaliar todo tipo de material para nas unidades de informação;


  • Buscar, registrar, avaliar e difundir a informação com fins acadêmicos e profissionais;


  • Planejar, constituir e manipular redes globais de informação;


  • Assessorar a avaliação de coleções bibliográfico-documentais.



Perceba que a palavra biblioteca não aparece. Isto porque ela representa uma das muitas opções de atuação profissional, entre dezenas de lugares e em diferentes segmentos. Mas é comum associarem a profissão do Bibliotecário apenas às Bibliotecas, por conta da terminologia.



"[...] só a formação também não resolve a questão, ou seja, para que os profissionais da informação ocupem os espaços a eles destinados, no mercado de trabalho, é necessário que a formação defina um perfil de profissional que se deseja e tão importante quanto a formação é que haja ações que divulguem o profissional para o mercado empregador. [...]

O profissional deve ter consciência de suas limitações e, por outro lado, precisa buscar os conhecimentos ainda não adquiridos, visando a inovação qualitativa contínua de seus serviços e dos produtos criados, destinados a um determinado público.
(Marta L. P. Valentim, em Formação do Profissional da Informação)


Se não tiver vaga, invente uma!


Algumas das vagas requerem muitos conhecimentos e listam inúmeras atribuições, o que me faz pensar que para UM ÚNICO profissional apenas dar conta de tudo aquilo parece até impossível.


No entanto, bibliotecários e arquivistas interessados na área de atuação dessas empresas, podem contribuir como membro daquela equipe, atuando na parte que quase todo mundo esquece: documentação, registro, armazenamento, classificação e disseminação de informações estratégicas para diferentes setores.


Deixa eu explicar melhor.


Na área de tecnologia, é comum que muitas empresas deixem de documentar seus processos, infraestrutura e serviços. Vou dar um exemplo, empresas de Help Desk, ou seja, Suporte Técnico: eu, como bibliotecária, já atuei na documentação e na criação de uma Base de Conhecimento para otimizar o atendimento dos usuários.


Além disso, criamos um processo onde os funcionários do atendimento eram motivados a documentar e atualizar as soluções aplicadas aos problemas que foram solucionados nessa base centralizada e compartilhada. Dessa forma, um problema recorrente seria tratado de forma mais rápida, pois as informações estariam disponíveis.


Parece óbvio uma empresa que presta um serviço de suporte técnico ter uma base de conhecimento que ajude o funcionário a encontrar rapidamente uma informação durante o atendimento, e que possa compartilhar com o usuário para que ele tenha autonomia e entenda o problema.


No entanto, muitas empresas não valorizam essa etapa da documentação ou não possuem funcionários que saibam fazer isso corretamente.


Já no Marketing, o profissional da informação pode atuar com Search Engine Optimization, ou SEO, (otimização para mecanismos de busca), uma indexação estratégica de termos que permitem que um site ou página na internet tenha maior relevância nas buscas. Também pode contribuir muito com a taxonomia de conteúdos para plataformas digitais, organização de peças e conteúdos publicados.


Outra atuação que vou exemplificar aqui é na área de e-commerce. O cadastro dos produtos passa por uma estrutura taxonômica, passa pelo SEO também, sabia? E mais ainda, quando você vai a um supermercado repare como os produtos são organizados nas prateleiras seguindo alguns dos conceitos que aprendemos na classificação e taxonomia. Além de agrupados por temas como produtos de limpeza, ou hortifruti, sempre tem um produto relacionado que fica próximo.


Exemplo: sempre colocam o queijo ralado próximo ao molho de tomate ou pacotes de macarrão. Esse é o famoso "ver também" que os bibliotecários e arquivistas utilizam em suas estruturas de taxonomia. Essa estrutura de catálogo de produtos recebe o nome de "Árvore mercadológica". Mas deixemos os detalhes para um outro post.


Já no livro "Introdução e boas práticas em UX Design" temos a seguinte fala:


"Uma prova de que os requisitos para ser um UX Designer são mais simples do que parecem é o fato de que vários profissionais da área vêm de formações diferentes: jornalistas, publicitários, designers gráficos, engenheiros, bibliotecônomos". (Fabrício Teixeira)


A pesquisa no Linkedin mostrou que nas descrições de vagas encontramos apenas algumas das palavras-chave relacionadas aos profissionais da informação. No entanto, ao trocar o filtro de vagas por pessoas, encontrei diferentes nomes de cargos e descrição de atividades de rotina que melhor se encaixam com as competências que procurei.


Identifiquei alguns nomes em perfis referentes a cargos nos quais temos bibliotecários e arquivistas atuando, FORA DE BIBLIOTECAS:


  • Profissional da Informação (aqui sim, nos perfis, aparece esse termo)

  • Organizador profissional

  • Organizer

  • Analista de Documentação

  • Analista de Documentação Técnica

  • Analista de Informação

  • Técnico(a) em Catalogação (acervos audiovisuais em empresas)