Desafios para o profissional da informação: tendências, competências e habilidades

Atualizado: há um dia

Por Maralyza Pinheiro e Lygia Canelas


[Fotografia e montagem] Mulher segurando lampada acesa enquanto digita em um notebook. O fundo está desfocado.


Diante do atual cenário mundial no qual a pandemia vem impactando direta ou indiretamente a vida das pessoas, algumas tendências passaram a ser realidade em nossa rotina. Para os profissionais da informação migrar para o universo digital foi uma dessas mudanças.


Percebemos que de repente as redes sociais de profissionais da Biblioteconomia e Arquivologia ganharam vida com o social media, mas o que é novo ou tendência para a área, já é realidade para outras que há tempos utilizam ferramentas como Instagram, YouTube — entre outras — para produtos e serviços, e isso tudo antes da pandemia.


Nós, justamente profissionais da informação, ainda estamos na etapa inicial desse processo. Ao falarmos de determinado eixo temático na área de Biblioteconomia e Arquivologia observamos que outras áreas profissionais já desenvolvem conteúdos sobre o mesmo tema há tempos, e isso revela um enorme delay (atraso) na nossa evolução frente às tecnologias e possibilidades. Como podemos mudar isso?


A seguir, vamos apresentar uma série de competências que o profissional da informação poderá desenvolver para alcançar o cenário atual de melhores práticas no desenvolvimento de produtos e serviços. Tudo o que segue foi inspirado em nossa própria batalha diária em busca de aperfeiçoamento profissional, um processo que não termina nunca. Vamos dar dicas do que ler, onde estudar e quais os atributos essenciais para um profissional que olha o presente entendendo que nele já está o futuro!


Estamos mencionando o episódio da pandemia como um contexto que — de alguma forma trágica — possibilitou uma aceleração na transformação digital para muitos profissionais da informação, permitiu a esses profissionais vislumbrar novos espaços para atuação de suas habilidades, no entanto, essas dicas valiosas a seguir já deveriam estar em nosso quadro de planejamento há tempos…


Nós estudamos, lemos, erramos, aprendemos e queremos compartilhar para que mais profissionais em nossa área possam vislumbrar novos caminhos no mercado de trabalho. Vamos?



[Montagem] Céu azul, duas placas à esquerda, uma acima da outra. Placa 1 diz: New Ways. Placa 2 diz: Old Ways.

Inteligência artificial


Segundo definição da IBM sobre Inteligência artificial (IA), temos que a inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que usa um mecanismo de processamento que simula a inteligência humana. Sendo um campo da ciência da computação, a IA é programada através de softwares e vem se tornando mais sofisticada com o passar do tempo, essa tecnologia apresenta capacidades de desenvolver raciocínios com base em uma série de dados sobre um assunto em específico e realizar a análise desses dados para auxiliar a encontrar insights. (site da IBM).


Vivemos em constante mudança, em um mundo repleto de informações dos mais diversos tipos, nas mais diversas áreas. Então, como podemos nos beneficiar da Inteligência Artificial ajudando corporações a resolver problemas específicos que impactam no seu negócio e na vida de milhares de pessoas? Com essa tecnologia, podemos atuar em diversas áreas como: saúde, agricultura, tributário, financeiro, recursos humanos, INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, entre tantas outras.


 Inteligência Artificial, ou IA, já é realidade nas grandes corporações brasileiras, cada vez mais as organizações utilizam a IA para aperfeiçoar os processos de negócios e se posicionarem no contexto de inovação. E onde estão a Biblioteconomia e arquivologia nesse cenário? Precisamos nos apropriar desse universo, conhecer mais sobre como a IA pode impactar no nosso dia a dia profissional.


Eis algumas das tecnologias utilizadas pela IBM e que são muito interessantes para nós, profissionais da informação:


  • Watson Studio: treina modelos prontos de IA, prepara e analisa dados, em um único ambiente.

  • Watson Assistant: um chatbot inteligente: Além de oferecer ao seu usuário/cliente respostas rápidas e precisas com a utilização dos famosos agentes virtuais, que possuem capacidade para aprender e IA, mitigar erros comuns do dia a dia em tarefas repetitivas.

  • Watson Machine Learning: capaz de criar e treinar modelos de auto aprendizado utilizando modelos de trabalho repetitivos , implementando esses modelos nos mais diversos projetos.

Sugerimos também alguns conteúdos, cursos e comunidades de profissionais relacionados ao tema no contexto da Biblioteconomia e Arquivologia:


Esses foram alguns materiais que separamos para que possam adentrar no universo da IA e entender que bibliotecários e arquivistas podem, e devem, atuar nessa área.


UX / UX Writing


Outra tendência que já é realidade nas organizações, tanto no Brasil quanto no mundo, é a UX (User Experience). A área de UX Design, ou seja, Design da Experiência do Usuário é responsável por criar produtos e serviços que sejam fáceis de usar, que tenham ótima usabilidade portanto. Uma experiência na qual o usuário conseguirá atender uma necessidade, de forma rápida, eficiente e satisfatória. Satisfatória a tal ponto, que irá retornar para a experiência e divulgar aos colegas, convidando novos usuários para se engajarem também.


Dentre as habilidades para atuar em UX, segundo Fabrício Teixeira destaca que basta ter bom senso, organização, pensamento sistemático e disposição para entender o que as pessoas precisam. É claro que será necessário estudar e conhecer conceitos e ferramentas, mas o que queremos ressaltar é que a área de UX está intimamente ligada a diversas competências e habilidades já desenvolvidas por nossa área: Arquitetura da Informação (AI), Pesquisa ou estudo de Usuário, Taxonomia, entre outras que podemos e devemos aprender.


Na usabilidade estamos pensando o tempo todo em simplificar o fluxo, a legibilidade do texto, sua coesão e contextualização, organização de etapas, de informações (tags, rótulos, classificação, taxonomias, vocabulários) e estratégias para manter o usuário firme em seu propósito durante a jornada em nosso produto ou serviço, motivado para seguir e concluir o que deseja. Com o auxílio das heurísticas, podemos avaliar todos esses parâmetros de usabilidade. Afinal, segundo as palavras da Bibliotecária e UX Designer Mariana Mota quem entende melhor de heurísticas, senão o bibliotecário?.


Outra área importante em UX refere-se a toda experiência textual. Afinal, durante toda a jornada de um serviço ou produto existem peças estratégicas de texto ou palavras que são fundamentais para orientar, motivar e engajar o usuário na experiência.


A redação UX é o processo de criação de palavras em experiências de usuários (UX — User Experiences): títulos, botões, rótulos, instruções, descrições, notificações, alertas e controles vistos pelas pessoas. Também inclui informações de configuração, experiência da primeira execução e conteúdo de ajuda que dão aos usuários a confiança necessária para seguir adiante.[…] O texto pode ser mínimo, mas é muito valioso. (Torrey Podmarjersky)

Esse texto valioso aparece em títulos, botões, descrições, comentários, instruções, narrativas de jogos, informações financeiras, mapas, conteúdos instrucionais, conteúdo de ajuda (chatbot, vídeos, tutoriais, roteiros para equipes de suporte), mensagens de erro e feedback do sistema, alertas, notificações. Surge para FACILITAR, MELHORAR e ORIENTAR a experiência do usuário, guiando, instruindo, porém não somente isso… Esse mesmo texto precisa reforçar a voz da marca por trás da experiência.


O UX Writer acaba atuando para resolver a experiência do ponto de vista textual, em um trabalho conjunto com a equipe de UX, Designers e Marketing/ Negócios, enquanto também desenvolve uma gestão de conhecimento na estruturação de tutoriais, manuais e orientações e chatbots. Sim! Veja depois o tópico sobre chatbot neste artigo.


Veja quantos PONTOS DE CONTATO existem entre o UX Writer, o bibliotecário, o arquivista, e o redator:

  • Identificar e estudar o usuário, compreender suas necessidades e dores;

  • Identificar os dados relevantes, eliminar tudo o que não serve;

  • Resumir e indexar;

  • Escrever de forma a priorizar dados relevantes, considerando a recuperação da informação, o entendimento objetivo.

  • Elaborar guias, listas de vocabulários controlados e contextualizar significados (valores da marca e momento da experiência);

  • Gestão do conhecimento, documentação, recuperação e disseminação do conteúdo de apoio ao trabalho das equipes de UX, Marketing, Suporte etc.

Depois de movimentar as redes sociais buscando profissionais que atuem nesse segmento e trazer para a área um olhar sobre um tema já conhecido dos bibliotecários — o estudo de usuário — é preciso entender o usuário a partir de suas experiências nas bibliotecas, em arquivos ou unidades de informação. Já se perguntou sobre como podemos melhorar essa experiência?


Provavelmente não, mas com as dicas de hoje você vai passar a entender melhor esse processo. O profissional da informação que seguir para a área de UX e de UX Writing podem aplicar suas habilidades tanto em unidades de informação quanto em qualquer outro segmento de mercado que contrate um projeto de UX.


Perfis do Instagram que valem a pena seguir:

Perfis no Medium:


Livros para iniciantes no universo do UX e AI:


Cursos na área de UX:


Oficina de UX Writing:


Livros de UX Writing:


Esperamos que esse seja o início disruptivo para os profissionais da informação na era do UX.


Coworking


Antes da pandemia, o coworking já era tendência em muitos segmentos do mercado, principalmente Tecnologia da Informação e Negócios. Trata-se do uso de espaços compartilhados para trabalho de diferentes empresas e segmentos.


Embora com a pandemia tenhamos avançado para o estilo de trabalho remoto, acreditamos que seguindo os devidos cuidados e protocolos de segurança essa tendência não deixará de existir.


Em 2018 comecei a utilizar espaços coworking em São Paulo (São Paulo-Brasil) para trabalhar e às vezes criar, ter ideias. São espaços que permitem você se sentir mais livre, com estilo mais colaborativo. Contudo, ainda em 2018, através de um grupo de Recursos Humanos de Fortaleza (Ceará — Brasil) participei (Maralyza) de eventos voltados para liderança em espaços compartilhados e quando decidi realizar a primeira oficina de Gestão Eletrônica de Documentos (GED), não pensei duas vezes: nada de auditório ou espaços formais, o negócio era realizar o evento no espaço coworking.


Não é tendência para o futuro, é o presente! Já pensou em uma biblioteca ou arquivo com espaços coworking? Pensamos muito nisso e em quem irá executar essa ideia? Por favor, deem o crédito para as autoras deste artigo.


Startup


Quando penso em startup, penso em transformar ideias em negócios. E como podemos transformar ideias em negócios sem tanta burocracia inicialmente? Com a criação da startup, para que tenha agilidade nos processos e suas ideias se concretizem em ações.


Startup é uma empresa jovem com um modelo de negócios repetível e escalável, em um cenário de incertezas e soluções a serem desenvolvidas. Embora não se limite apenas a negócios digitais, uma startup necessita de inovação para não ser considerada uma empresa de modelo tradicional. (StartSe)

Na medida em que a startup irá se desenvolver, aquela ideia que parece absurda para muitos vai ganhando força e aí uma empresa de médio ou grande porte compra ou entra em sociedade apostando na sua ideia genial e aí o céu é o limite!


Livros sobre startup:

Artigos sobre startup: