• Lygia Canelas

A arte de escrever bem

Atualizado: Fev 18

Hoje tem dica de livro sobre descomplicar a escrita!





Acredito que seja uma das leituras obrigatórias pra quem produz conteúdo textual, seja impresso ou digital. Trata-se da obra das jornalistas feras Dad Squarisi e Arlete Salvador:

A arte de escrever bem: um guia para jornalistas e profissionais do texto.

Não se engane pela capa com Erasmo de Roterdão, o livro é super atual ; )

No livro você encontra fórmulas para escrever bem, recursos para medir a qualidade do texto, técnicas jornalísticas que já contemplam o digital, gêneros jornalísticos, muita gramática e tudo com extremo bom humor.


A gente percebe que um dos principais objetivos desse livro é ensinar o leitor a garimpar o óbvio, ser objetivo nas informações que você vai colocar no texto. 


Como encontrar o óbvio? Pensando no que for realmente relevante para o leitor e escrever isso de forma clara e concisa. A questão é que a nossa linda gramática da língua portuguesa possibilita que você crie mil caminhos para chegar em uma informação. Quando eu li o livro me lembrei na hora das aulas de matemática e geometria, na qual aprendíamos sobre retas e pontos rs.


Lembra disso? : )


Observe a imagem abaixo, qual o caminho mais curto entre A e B?

Dessa forma, quem escreve precisa, aliás DEVE, selecionar o caminho mais curto entre a informação (A) e o leitor (B), sem prejudicar o entendimento, né?


A informação relevante e estruturada de forma clara é tudo o que o leitor precisa pra entender algum assunto e poder aplicá-lo. Se ele não entender ou tiver que reler várias vezes, deve ser por que você criou um caminho muito longo e o leitor vai abandonar o texto não importa onde ele estiver (tela de site, aplicativo, embalagem de produto, filme, livro etc).


“Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito…” Oscar Niemeyer.

Dad e Arlete trazem muitos exemplos de textos comparados para que fique simples identificar onde a reta virou uma curva ou um verdadeiro labirinto de frases que estão dificultando o entendimento do leitor.


Se a gente parar pra pensar nos gêneros textuais (conto, poesia, manual técnico, notícia de jornal, tese, etc) a linguagem varia para algo mais literário, científico ou marketeiro. Eu gosto demais de escrever, mas é preciso virar uma chave em nossa mente na hora de alternar entre gêneros e contextos.


Escrever um conto é totalmente diferente de escrever um tutorial de utilização de um app. Tanto do ponto de vista do estilo da escrita, como também da apresentação visual dos elementos: quantidade por blocos de texto (ou parágrafos), bullets points, destaques em bold, hierarquia de títulos, usar verbos para motivar uma ação por parte do leitor (usuário).


Mas de qualquer forma, independentemente do gênero, a objetividade, a clareza e a concisão é um padrão-ouro que sempre deve permear o caminho percorrido pelas palavras em um texto.


O livro ensina a:

  1. encurtar frases;

  2. deixar as sentenças em ordem positiva (eliminando a palavrinha “não”);

  3. usar a voz ativa;

  4. escolher termos mais específicos e adequados no entendimento;

  5. dosar o uso de adjetivos;

  6. harmonizar a ordem das palavras nas frases (eliminar cacofonias, repetições, frases “estranhas”;

  7. utilizar apenas palavras éticas (conhecer os termos racistas, machistas, preconceituosas, depreciativas)

  8. testar a legibilidade.

Esse último tópico é super importante, afinal como saber se o resultado final do texto está adequado mesmo? As autoras trazem algumas dicas super fáceis e que podem ser aliadas a testes de usabilidade.


Pra finalizar, um texto fluido é lido com prazer, ele alivia o esforço cognitivo do leitor.

Se liga neste texto de apresentação do livro:


“Escrever está na moda. As novas tecnologias de comunicação, quem diria, ressuscitaram o valor da escrita. Já não se escrevem cartas como antigamente, mas concisas mensagens eletrônicas. Já não se admitem relatórios longos e complexos. Tempo é dinheiro. Relatórios devem ser objetivos e contundentes. E os vestibulares? Estudante não entra na faculdade se falhar na redação. Nunca se precisou tanto da escrita quanto agora”.

De arrepiar, né?


Ah, e se tiver mais sugestões de leitura sobre esse tema, deixa aqui nos comentários! ; )



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